domingo, 28 de outubro de 2012

Modelos em EaD: Conectivismo - uma nova teoria da aprendizagem?

Por trás dos MOOCs está o conectivismo.

No post Moving beyond self-directed learning: Network-directed learning (2011), Siemens discute as limitações do behaviorismo, cognitivismo e construtivismo enquanto teorias de aprendizagem, por não abordarem a aprendizagem que ocorre fora das pessoas e nas organizações. O conectivismo é então proposto como uma teoria mais adequada para a era digital, em que, para a ação, precisamos utilizar informações fora do nosso conhecimento primário. Aprender não é mais considerado um processo inteiramente sob o controle do indivíduo, uma atividade interna, individualista: está também fora de nós, dentro de outras pessoas, em uma organização, em um banco de dados ou em artefatos, e essas conexões externas, que potencializam o que podemos aprender, podem  inclusive ser consideradas mais importantes que nosso estado atual de conhecimento.

Nesse sentido, Siemens critica o conceito de autonomia dos aprendizes, base para vários modelos de EaD:

O aprendizado autodirecionado explica os atributos dos aprendizes que aprendem em seu próprio ritmo e interesse. Isso é suficiente para descrever nossas necessidades de conhecimento hoje? Creio que não. [...] Quando confrontados com o aprendizado em ambientes complexos, precisamos mais de algo como um aprendizado direcionado pela rede (network-directed learning) – aprendizado que é formado, influenciado e direcionado de acordo com o modo pelo qual estamos conectados aos outros. Em vez de criar significados no isolamento, baseamo-nos em redes sociais, tecnológicas e informacionais para direcionar nossas atividades.
Anderson e Dron, em Three generations of distance education pedagogy (2011), discutem três gerações de pedagogias para EaD: behaviorismo-cognitivismo, socioconstrutivismo e conectivismo. Segundo os autores, com o conectivismo a interação em EaD move-se para além das consultas individuais com o professor (pedagogia behaviorista-cognitivista) e das interações em grupos e limites dos AVAs (pedagogia construtivista). As atividades dos alunos são refletidas em suas contribuições em wikis, Twitter, discussões de texto e voz e outras ferramentas de rede.

Ao contrário de pedagogias anteriores, o professor não é o único responsável pela definição, geração ou atribuição de conteúdo. Em vez disso, os alunos e os professores colaboram para criar o conteúdo do estudo, e no processo recriam esse conteúdo para uso futuro por outros, com os alunos ensinando aos professores e uns aos outros. No espaço conectivista, a estrutura está desigualmente distribuída e é em geral emergente, e essa emergência raramente leva a uma estrutura otimamente eficiente para atingir objetivos de aprendizagem. No recente post MOOCs and Connectivist Instructional Design (27/10/2012), Geoff Cain afirma sobre o conectivismo e os MOOCs:
Estamos muito longe do modelo ADDIE de design instrucional. Não há nenhum modelo típico de design instrucional que possa explicar o que está acontecendo aqui.
George Siemens já tinha explorado o tema no pioneiro MOOC Connectivism and Connective Knowledge (CCK08) em Instructional Design and Connectivism.

Para Anderson e Don, os modelos behavioristas-cognitivistas seriam teorias de ensino, enquanto os modelos socioconstrutivistas seriam teorias de aprendizagem, com ambos ainda se traduzindo adequadamente em métodos e processos de ensino. Os modelos conectivistas, por sua vez, seriam teorias do conhecimento, o que torna difícil sua tradução em formas de aprender e, ainda mais difícil, em formas de ensinar.

Modelos pedagógicos behavioristas-cognitivistas surgiram em um ambiente tecnológico que restringia a comunicação para a pré-Web, em modos um-para-um e um-para-muitos; o socioconstrutivismo floresceu na Web 1.0, no contexto tecnológico muitos-para-muitos; e o conectivismo é pelo menos em parte um produto de um mundo Web 2,0, em rede.

Importante registrar ainda que alguns autores argumentam que o conectivismo não deve ser considerado uma nova teoria da aprendizagem:
VERHAGEN, P. Connectivism: A new learning theory? 2006. 
KERR, B. A Challenge to Connectivism. Transcript of Keynote Speech, Online Connectivism Conference. University of Manitboa, February 2007.

KOP, R.; HILL, A. Connectivism: Learning theory of the future or vestige of the past? IRRODL International Review of Research in Open and Distance Learning, 9(3), 2008.

BELL, Frances. Connectivism: Its Place in Theory-Informed Research and Innovation in Technology-Enabled Learning. IRRODL International Review of Research in Open and Distance Learning, 12(3), 2011.
Qual a sua visão sobre o conectivismo? Na sua opinião, o conectivismo é uma nova teoria da aprendizagem ou apenas uma costura de alguns aspectos de teorias que o precedem?

Reações:

12 comentários:

  1. Simplesmente, maravilhoso! Temos que dar oportunidade a todos e a nós mesmos de aprender a aprender!
    Estar conectado é viver o novo aprendizado e recordar o "quase-novo": seja através de uma Plataforma Digital, como a Educopédia-Rio, seja através de sites educativos e até mesmo através de nossas experiências em sala de aula!
    Vejam que lindo o vídeo que fiz com o 6º ano da EM Maestro Pixinguinha,que está no meu blog http://i9suasaladeaula.blogspot.com.br/2012_09_01_archive.html!
    Aprendizado sempre!! Sou apaixonada pelas redes e a aprendizagem que proporcionam!
    Tânia Almeida

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  2. Tânia, o conectivismo é realmente uma abordagem interessante para fundamentar a aprendizagem em rede, que, como você mesmo cita, a SME-RJ explora com muita intensidade. O blog tem vários registros, imagino que os alunos devem gostar bastante, certo?

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  3. Muito interessante, fiquei curiosa para saber mais sobre esta teoria/modelo.
    Já compartilhei em meu blog! temos que divulgar mais e mais... novos modelos necessitam surgir para suprir os avanços que presenciamos dia após dia referentes ás tecnologias e à educação.
    Att
    Frankiele

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  4. Ainda estou a explorar as idéias. O que posso dizer é que, como usuária das novas tecnologias, estou tendo acesso a uma infinidade de informações. Estou precisando organizar tudo isso e aqui creio poder amadurecer a questão prposta. Estou aposentada e nunca estudei tanto como agora mas preciso organizar meu ambiente pessoal de aprendizagem. Muito grata pelo espaço. Abs

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  5. Rosalia, uma sugestão se organize o minimo possível, pois para poder entender o Caos, vc precisa ser flexível e ter poucos pontos de apoio..deixe-se levar.. outra dica, siga os seus primeiros insights.. mesmo que nos pareça ridículos..

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  6. Pode ser entendida como Teoria sim.. Estamos acostumados às teorias que nos ensinaram e surgiram no séc XX... encaro com a maior naturalidade que acontece este "mutatis mutantis" tipico de transformação, mudança e que ocorre através da Tecnologia.


    A expressão latina indica que estamos a mudar ( lentamente) o que deve ser mudado.. o que ocorre de diferente é que não parte mais de um só filosofo, educador, pesquisador.. é o tecer do passado(o bom, o que se adapta) com novas ideias.. antes o individual agora a diversidade, se enfronhar nesta liberdade, quando não estamos acostumados a ela, isso sim, mobiliza, é um risco.

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  7. Olá a tod@s
    Penso que este artigo poderá nos ajudar a refletir um pouco mais sobre a questão colocada. Mas, pessoalmente, ainda não cheguei a uma conclusão.
    http://lealmaria.wordpress.com/2009/07/31/conectivismo-uma-nova-teoria-da-aprendizagem/

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  8. Resumidamente, em uma visão simplificada, contexto social e teoria educacional ou de aprendizagem sempre estiveram a par e passo. No contexto de produzir as habilidades necessárias para um mundo industrial o instrutivismo era a teoria ideal. Na transição para um mundo industrial/gerencial, o cognitivismo surgiu como complemento ao instrutivismo. Com a explosão demográfica e conseqüente ampliação dos mercados, a expansão do capitalismo e a substituição de mão de obra por maquinas, o construtivismo emergiu como teoria e logo foi ampliado pelo sócio-construcionismo (social +construtivo +interacionista), este último já considerando a importância e ubiqüidade das conexões sociais na aprendizagem. Já viram onde quero chegar?

    No finalemnte, parodiando o poeta Vinicius de Morais,

    De repente não mais que de repente
    fêz-se amigo próximo o contato distante,
    fêz-se da rede uma aventura errante
    De repente, não mais que de repente

    E dando os trâmites por findos,
    Na perspectiva de feriado,
    Pensando em conectivismo ...
    É a rede no sócio-construtivismo!
    Porque o social é a rede!

    Um bom feriado a todos

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  9. Olá a todos!

    Na minha opinião, o conectivismo é, hoje em dia, o sustentar de uma nova prática aliada com as teorias de aprendizagem, de acordo com o objetivo e o público-alvo que a situação de aprendizagem pede.
    Não basta conhecer ou obter informações vindas de vários meios tecnológicos, sem aplicar o devido conhecimento do que se aprende no cotidiano, de forma a contribuir para uma sociedade onde todos possam ter direitos iguais à educação, cultura e saúde, etc., e serem cidadãos que compreendem, analisam, e avaliam tudo à sua volta, desenvolvendo assim um intelecto mais profundo.

    Podem existir muitas teorias, mas que nada adiantarão se não forem sustentadas pela prática construtiva.

    Abs.

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  10. Já havia lido sobre o Conectivismo em seu livro João Mattar, mas já é uma teoria reconhecida no meio científico?

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    1. Então, Adriana, como indicado no post, há vários autores que não consideram o Conectivismo uma teoria da aprendizagem. Mas deixando isso de lado, é uma abordagem submetida aos mesmos processos das demais: avaliações, aplicações, comentários etc.

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  11. Se é teoria ou teorização eu não sei. O que sei é que ela é a única que responde hoje as novas formas de aprender, diante da Cibercultura e os ciberespaços que vivemos e interagimos hoje. Não se pode negar o conectivismo.

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